Saltar para o conteúdo

De Olho na Cultura

Joseph Mallord William Turner (1775-1851) - A Arte como último olhar

3 min de leitura
CulturaInteresse PúblicoQualidade de Vida e Impacto SocialHistória da OftalmologiaCatarataDegenerescência Macular
Joseph Mallord William Turner (1775-1851) - A Arte como último olhar (Post 2)

William Turner nasceu em Londres, numa família modesta. O seu pai, William Mikael Turner, era barbeiro e fabricante de perucas; a sua mãe, Mary Marshall, vinha de uma família de açougueiros.

Em 1789, ingressou na Real Academia de Artes de Londres. Foi extremamente precoce e brilhante: iniciou-se na arte aos 13 anos, com os seus desenhos, e aos 15 anos já tinha alcançado reputação. Foi pintor, gravurista e aguarelista romântico inglês, considerado por alguns como um dos precursores do modernismo na pintura. É conhecido pelas suas colorações expressivas, paisagens imaginativas e pinturas marinhas turbulentas, muitas vezes violentas.

Era um homem solitário, sem amigos, e, quando pintava, não permitia a presença de outras pessoas.

Uma das suas principais preocupações foi a aplicação da luz e a sua incidência sobre as cores, da maneira mais natural possível. Foi reconhecido como “o pintor da luz”, pela intensidade cromática e pela forma inovadora de representar fenómenos atmosféricos.

De 1830 a 1840, Turner deixou de lado a forma e criou espaços voláteis de nuvens e cores, como em Chuva, Vapor e Velocidade (1844).

Turner é um artista que parece pintar não apenas o que vê, mas o que sente — tempestades interiores, luz em transformação e choque entre a natureza e a modernidade. É considerado um artista romântico e um dos pioneiros do modernismo no campo da pintura.

A partir da década de 1840, Turner pintou com formas mais difusas, cores mais intensas e contornos quase dissolvidos, o que levou alguns historiadores a sugerir que poderia ter sofrido de cataratas senis (que reduzem a luz e aumentam a perceção de halos luminosos) ou de degenerescência macular, que afeta a visão central.

A análise de obras como Rain, Steam and Speed ou Snow Storm mostra uma abstração luminosa que alguns interpretam como possível visão alterada.

Contudo, Turner pintou, em paralelo, desenhos e aguarelas de grande precisão, o que contraria a ideia de perda visual significativa.

O mais provável é que a sua pintura tardia reflita uma escolha estética radical, não uma limitação física.

Turner foi um artista bastante criativo, tendo criado mais de 550 pinturas a óleo, 2 mil aguarelas e 30 mil desenhos em papel. As obras mais importantes de Turner estão na National Gallery e na Tate Gallery, ambas em Londres. Em 2016, Turner passou a figurar nas notas do seu país.

Bibliografia

  • Martin Butlin e Evelyn Joll (1984), The Paintings of J.M.W. Turner, edição revista, New Haven e Londres.
  • Alan Liu, The History in Romanticism, em Duncan Wu, ed., Romanticism: A Critical Reader, Oxford, 1995, pp. 108–109.
  • Andrew Wilton e Rosalind Mallord Turner, Painting and Poetry: Turner’s ‘Verse Book’ and his Work of 1804–1812, catálogo de exposição, Tate Gallery, Londres, 1990.
  • Vaughan, W. (1994). Romanticism and Art. Thames & Hudson, Londres.

Autor: Walter Rodrigues