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De Olho na Cultura

Francisco Goya (1746-1828) — A Arte Como Último Olhar

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Francisco Goya (1746-1828) — A Arte Como Último Olhar

Francisco José de Goya y Lucentes nasceu em Fuendetodos, Aragão, era filho de José Benito de Goya y Franque e de Gracia y Lucentes Salvador.

É considerado o mais importante artista espanhol do final do século XVIII e início do séc. XIX. Trabalhou como pintor da Corte da Coroa Espanhola em 1786, retratista, cronista e inovador radical na gravura e tapeçarias em estilo Rococó projetados para o Palácio Real.

É frequentemente chamado “o último dos Velhos Mestres e o primeiro dos modernos”. Influenciou profundamente artistas como Manet, Picasso e os modernistas. Inicialmente ganhava a vida como dourador, especializado em arte sacra e decoração de igrejas. Em 1763 e 1766 submeteu seus trabalhos para a Real Academia de Belas Artes de São Fernando, mas ambas foram negadas.

Foi para Roma, então capital da cultura da Europa, tendo regressado a Saragoça em 1771. Entre 1792 e começo 1793, Goya sofreu uma doença grave que o deixou temporariamente paralisado, parcialmente cego e permanentemente surdo, transformando radicalmente a sua visão do mundo e a sua pintura. Tornou-se retraído e introspetivo enquanto a direção e o tom do seu trabalho mudaram, e fez uma série de gravuras publicadas em 1799 chamadas Caprichos.

A etiologia permanece incerta: teorias incluem sífilis, intoxicação por chumbo (das tintas), encefalite viral prolongada ou doença autoimune. A partir deste episódio, Goya muda de forma radical: com a visão fragilizada e a audição perdida, volta-se para dentro, a sua obra torna-se mais psicológica, crítica e sombria. Surge a necessidade de representar fantasmas, medos, injustiças e delírios.

Após a doença Goya cria:

Los Caprichos (1799) — sátira feroz da sociedade, com figuras híbridas, monstros e sombras.

Desastres da Guerra (1811-1814) — testemunho cru da violência humana.

Pinturas Negras (1819-1823) — visão interna, trágica e quase alucinatória da condição humana, como Saturno devorando um filho, exposto no Museu do Prado.

A frase “o sono da razão produz monstros” torna-se quase autobiográfica: a razão enfraquecida pelo sofrimento abre espaço ao irracional.

Mesmo recuperando parte da visão, Goya viveu com episódios de visão turva, vertigens, hipersensibilidade à luz e períodos de grande fragilidade física. Em 1824 exilou-se em Bordéus, França, e morreu a 16 de Abril de 1828.

Bibliografia

Voorhies, J. (ed.) (2003). “Francisco de Goya (1746–1828) and the Spanish Enlightenment”. Department of European Paintings, The Metropolitan Museum of Art.

Harris-Frankfort, E. (ed.) (2021). “Francisco Goya — The Napoleonic invasion and period after the restoration”. Encyclopædia Britannica.

“Cartas de Goya a Martín Zapater”. Museo del Prado.

Hagen, R.-M.; Hagen, R. (1999). Francisco Goya, 1746–1828. Londres: Taschen, p. 317.

ten-Doesschate Chu, P.; Dixon, L. S. (2008). Twenty-first-century Perspectives on Nineteenth-century Art: Essays in Honor of Gabriel P. Weisberg. Associated University Presses, p. 127.

Williams, P. (2011). The Psychoanalytic Therapy of Severe Disturbance. Karnac Books, p. 238.

Hughes, R. (ed.). “The unflinching eye”. The Guardian.

Autor: Walter Rodrigues

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