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De Olho na Cultura

Georgia O’Keeffe (1887–1986) — A Arte como último olhar

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Georgia O’Keeffe (1887–1986) — A Arte como último olhar

Georgia O’Keeffe nasceu a 15 de novembro de 1887, em Sun Prairie, no Wisconsin, nos Estados Unidos da América. Era filha de Francis Calyxtus O’Keeffe e Ida Totto O’Keeffe, produtores de leite.

Aos dez anos, decidiu que queria dedicar-se à pintura.

Entre 1905 e 1906, estudou na School of the Art Institute of Chicago, onde teve aulas com John Vanderpoel. Mais tarde, frequentou a Art Students League of New York.

Entre 1912 e 1914, ensinou em escolas públicas de Amarillo, no Texas. No final de 1915, quando lecionava no Columbia College, na Carolina do Sul, começou a criar abstrações a carvão baseadas em sensações e visões pessoais. É considerada uma das primeiras artistas norte-americanas a praticar a abstração pura.

Figura central do modernismo norte-americano, ficou particularmente conhecida pelas pinturas de flores ampliadas — um conjunto de cerca de 200 obras iniciado por volta de 1920 —, mas também pelas paisagens do Novo México e pelas formas abstratas.

Em 1925, mudou-se para o 30.º andar do Shelton Hotel, em Nova Iorque. A vista privilegiada sobre a cidade inspirou uma série dedicada aos arranha-céus, em que explorou a geometria, a escala e a energia urbana.

A partir de 1929, passou longas temporadas no Novo México. Em 1949, após a morte de Alfred Stieglitz, estabeleceu-se definitivamente nesse estado. Em 1984, mudou-se para Santa Fé, onde morreu a 6 de março de 1986, aos 98 anos.

Georgia O’Keeffe é frequentemente designada como a “mãe do modernismo norte-americano”.

A evolução estilística de Georgia O’Keeffe e os problemas da visão

Entre 1910 e 1920, trabalhou sobretudo a carvão e aguarela. As formas ondulantes, quase musicais, revelam a influência do modernismo europeu, mas já exprimem uma voz sensorial muito própria. Neste período realizou algumas das primeiras abstrações puras produzidas nos Estados Unidos.

Durante os anos de Nova Iorque, aproximou-se do precisionismo. Arranha-céus, pontes e geometrias urbanas passaram a ocupar as suas composições, apresentando a cidade como um organismo vivo.

Entre 1924 e 1936, desenvolveu uma iconografia profundamente pessoal. As flores monumentais não pretendiam ser estudos botânicos: eram experiências de proximidade, escala e intensidade, que obrigavam o observador a reparar no que habitualmente passava despercebido.

Entre as décadas de 1930 e 1980, os ossos, desertos, montanhas e horizontes do Novo México tornaram-se temas recorrentes. A paleta terrosa e o espaço aberto contribuíram para aquilo que se poderia descrever como um “silêncio visual”.

No final da década de 1970 e durante os anos 1980, a deterioração da visão aproximou novamente a artista da abstração. As formas tornaram-se maiores, mais simples e mais planas.

Em 1964, aos 77 anos, Georgia O’Keeffe foi diagnosticada com degenerescência macular. Em 1971, sofreu também uma oclusão venosa retiniana no olho esquerdo e, no início da década, perdeu grande parte da visão central, conservando sobretudo a visão periférica. Em 1972, concluiu a sua última pintura a óleo sem assistência. A perda progressiva da visão condicionou a forma como trabalhava: a precisão do detalhe deu lugar a uma linguagem mais meditativa e tátil.

Mesmo com a visão muito reduzida, continuou a criar com o apoio de assistentes, descrevendo cores e formas, e experimentou também a cerâmica e a escultura. A perda da visão não encerrou a obra; transformou o processo criativo e conduziu-a a um regresso à memória, à imaginação e à essência das formas.

Bibliografia

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  • Georgia O’Keeffe Museum. “About Georgia O’Keeffe”. Consultado em 22 de agosto de 2026.

Autor: Walter Rodrigues