
As lentes de contacto reduzem a dependência de óculos e dão liberdade no trabalho, no desporto e no dia a dia. Mas não são um simples acessório: estão em contacto directo com a córnea e, se mal escolhidas, adaptadas ou utilizadas, podem causar secura, inflamação, infecção e, em casos graves, comprometer a visão. Mais do que a graduação ou o conforto, importam a avaliação, a orientação e a vigilância clínica. O oftalmologista deve ser o gestor máximo da lente de contacto de cada doente, garantindo que a liberdade de ver nunca coloca a visão em risco.
Muito mais do que ver sem óculos
São dispositivos médicos que corrigem miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Há lentes diárias, quinzenais ou mensais, multifocais e lentes especiais para casos como o queratocone. Escolher uma lente não é apenas escolher uma graduação: é avaliar cada olho, a lágrima, a existência de secura ou alergia e o ritmo de vida. A lente certa deve adaptar-se ao olho e à vida de cada pessoa.
O que se pode ganhar – e perder
Bem-adaptadas e usadas, dão liberdade, conforto e qualidade visual e, em algumas alterações da córnea, permitem uma visão que os óculos não conseguem. Mas exigem cuidado: a higiene é uma forma de proteger a córnea todos os dias. Lave e seque bem as mãos, respeite o prazo de substituição e use correctamente a solução e o estojo. As lentes diárias são de utilização única.
Nunca limpe a lente com água ou saliva, nem junte solução nova à antiga, e evite a água do banho, piscina ou mar. Não durma com lentes, salvo indicação médica. Tenha óculos actualizados e, perante desconforto, retire as lentes. Dor, olho vermelho, secreção, sensibilidade à luz ou visão turva exigem observação rápida por um oftalmologista.
Oftalmologista: o parceiro da sua visão
O oftalmologista avalia se o olho está preparado, identifica riscos antes de se tornarem problemas e escolhe a opção mais segura. Analisa a córnea, a lágrima, as pálpebras e a superfície ocular, detectando olho seco, alergias ou inflamação. No queratocone, em córneas irregulares ou após cirurgia ocular, a lente pode fazer parte do tratamento e exige adaptação rigorosa. A melhor lente não é apenas a que permite ver bem: é a que respeita a saúde visual de cada doente.
Por isso, o oftalmologista é o guardião da lente de contacto: garante que a escolha respeita o que o doente quer ver hoje e o que precisa de preservar no futuro – uma córnea saudável e uma visão duradoura.
Lembre-se:
Ver bem não é apenas ver!
Vítor Maduro
Médico Oftalmologista especialista em Córnea e Transplantes
Secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

Artigo publicado no Jornal de Notícias, no âmbito da Semana da Visão. Ver a página do jornal (PDF)