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Sociedade Portuguesa de Oftalmologia alerta para tumor raro que pode desenvolver-se sem sintomas

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Campanha da SPO sobre o melanoma da úvea: «O melanoma nem sempre está à vista. Também pode estar nos seus olhos.»

Campanha de sensibilização chama a atenção para o melanoma da úvea, um tumor que se desenvolve no interior do olho

Quando pensamos em melanoma, pensamos habitualmente na pele, em sinais ou alterações que conseguimos ver.

Por isso, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), em parceria com a Immunocore, lança, sob o mote “O Melanoma nem sempre está à vista. Também pode estar nos seus olhos”, uma campanha de sensibilização para dar a conhecer o melanoma da úvea, uma doença rara que se desenvolve no interior do olho e pode evoluir sem sintomas numa fase inicial1, procurando aumentar o conhecimento da população sobre a doença e reforçar a importância da observação por um médico oftalmologista.

O melanoma da úvea é o tumor intraocular primário mais frequente no adulto1, apesar de ser uma doença rara. Em Portugal, estima-se que surjam anualmente 2 a 3 casos por milhão de habitantes2. Desenvolve-se nas células pigmentadas da coróide, do corpo ciliar ou da íris e afeta sobretudo pessoas entre os 50 e os 70 anos.

Um dos principais desafios é precisamente o seu caráter silencioso. Cerca de um quarto dos doentes não apresenta sintomas, sendo o tumor detetado durante exames oftalmológicos de rotina. Quando existem manifestações, estas podem incluir visão turva, perda de campo visual ou flashes de luz1.

Diagnóstico precoce pode fazer a diferença

O diagnóstico precoce assume particular importância no melanoma da úvea, uma vez que permite aumentar as possibilidades de preservar o olho e a visão e reduzir o risco de progressão da doença.1

Nas últimas décadas, o tratamento também registou uma evolução significativa. A enucleação - remoção cirúrgica do olho - foi progressivamente substituída, em muitos casos, por tratamentos conservadores, como a braquiterapia e a radioterapia com feixe de protões, que permitem alcançar taxas de controlo local superiores a 90%.3

O maior desafio clínico permanece, contudo, na doença metastática. Até metade dos doentes pode desenvolver metástases1, sobretudo no fígado, mesmo vários anos após o tratamento do tumor ocular.

Também nesta área têm surgido novas perspetivas terapêuticas. Alguns tratamentos inovadores demonstraram benefício de sobrevivência em doentes com determinados perfis genéticos4, representando um avanço relevante no tratamento da doença metastática. Paralelamente, outras terapias continuam em investigação,5 abrindo caminho a abordagens cada vez mais personalizadas.

Referências

  1. Sayan M, et al. Radiat Oncol J. 2020;38(3):162-169.
  2. Machado T., et al. Oftalmologia. 2025;49(1).
  3. Semeniuk O., et al. Cancers (Basel). 2024;16(5):1074.
  4. Nathan P., et al. N Engl J Med. 2021;385:1196-1206.
  5. Hanratty K., et al. Cancers. 2025, 17(9), 1403;

NPM-PT--2600001 Outubro 2026