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Inês Leal – JN – Semana da Visão: Medicamentos e saúde ocular: tratar a doença, proteger a visão

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Campanha da SPO para o Dia Mundial da Visão: «Esteja atento ao que vê.»

Nas últimas décadas, o tratamento das doenças crónicas evoluiu de forma notável. Doenças autoimunes, como o lúpus ou a artrite reumatoide, e muitos tipos de cancro dispõem hoje de terapêuticas mais eficazes, que permitem controlar a doença e manter a qualidade de vida durante muitos anos. Estes medicamentos atuam em todo o organismo e, em algumas situações, podem também afetar os olhos.

Na maioria dos casos, os efeitos oculares são pouco frequentes, ligeiros e controláveis. Não são motivo para receio nem para interromper um tratamento necessário. São, sim, uma razão para incluir o oftalmologista na equipa que acompanha cada pessoa, de forma a detetar precocemente qualquer alteração e permitir que o tratamento prossiga com segurança.

Doenças autoimunes: vigilância ao longo do tempo

A hidroxicloroquina é um dos medicamentos mais utilizados no lúpus, na artrite reumatoide e noutras doenças autoimunes. É eficaz, bem tolerada e usada há muitos anos. Contudo, após vários anos de tratamento, pode causar alterações na retina que, numa fase inicial, não provocam qualquer sintoma.

Por esse motivo, recomenda-se uma avaliação oftalmológica no início do tratamento e, depois, vigilância regular com exames simples, rápidos e indolores. Quando identificadas cedo, estas alterações permitem ajustar a terapêutica em conjunto com o médico assistente e preservar a visão.

Tratamentos oncológicos: novas terapêuticas, novos cuidados

As terapêuticas mais recentes mudaram o tratamento de vários tipos de cancro. Algumas podem afetar a superfície do olho, causando secura, irritação ou visão turva; outras podem provocar alterações temporárias na retina, com visão desfocada ou imagens distorcidas.

Estes efeitos são, em geral, reversíveis e melhoram com medidas simples, como lubrificantes, colírios prescritos ou pequenos ajustes no tratamento, decididos pela equipa de oncologia. Para alguns destes medicamentos, estão previstas avaliações oftalmológicas antes e durante o tratamento, o que permite atuar cedo e evitar interrupções desnecessárias.

Visão turva, olho seco persistente, sensibilidade à luz, dor, vermelhidão ou distorção das imagens justificam contactar o médico. Não significam necessariamente um problema grave, mas devem ser avaliados.

Uma equipa ao serviço da visão

O melhor tratamento é aquele que controla a doença e preserva a qualidade de vida. A colaboração entre o médico assistente e o oftalmologista permite usar estes medicamentos com confiança e segurança. Se iniciar uma terapêutica prolongada, informe o seu oftalmologista — e faça da vigilância ocular regular parte do seu plano de tratamento.

Inês Leal
Médica Oftalmologista
Membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

Página do Jornal de Notícias com o artigo «Medicamentos e saúde ocular: tratar a doença, proteger a visão», de Inês Leal

Artigo publicado no Jornal de Notícias, no âmbito da Semana da Visão. Ver a página do jornal (PDF)