
O olho é um órgão maravilhoso e fantástico. No seu interior tem uma lente que habitualmente é transparente: o cristalino.
Esta transparência é necessária para que a entrada da luz até à retina (no fundo de olho) se faça de forma ideal. Contribui ainda para a focagem dos objetos, com uma capacidade variável de focagem, permitindo ver nítido a diversas distâncias.
A presbiopia
Com o passar dos anos, o cristalino perde gradualmente a sua elasticidade e capacidade de focagem. Por volta da quinta década de vida, surge a presbiopia, vulgarmente conhecida como “vista cansada”. O primeiro sinal é bem conhecido: afastar o jornal, o telemóvel ou o livro para conseguir ler melhor.
As soluções passam, no início, por óculos ocasionais, depois mais frequentes (em alternativa podem ponderar-se lentes de contacto ou intraoculares, quando a questão já é muito relevante).
A catarata
Com o avançar da idade, o cristalino pode perder a sua transparência. A opacificação desta lente natural dá origem à catarata, uma das doenças oculares mais frequentes: estima-se que cerca de metade das pessoas com 70 anos tenha catarata ou já tenha sido operada. A catarata instala-se de forma lenta e progressiva, reduzindo gradualmente a nitidez das imagens e a qualidade de vida.
A idade é o principal fator associado à catarata, mas não o único. Outras causas incluem traumatismos oculares, inflamações ou doenças sistémicas como a diabetes. Em casos mais raros, podem surgir cataratas congénitas, que, se significativas, exigem cirurgia logo nas primeiras semanas de vida.
Cirurgia de catarata
O tratamento da catarata é exclusivamente cirúrgico, sendo a operação mais realizada na medicina moderna, dados os bons resultados. Durante o procedimento, a lente opacificada é removida e substituída por uma lente intraocular artificial, que devolve a transparência ao olho e restaura a visão.
Graças aos avanços tecnológicos, a cirurgia é hoje altamente eficaz e segura. Nos casos de miopia ou hipermetropia elevadas, esta intervenção pode também reduzir a graduação, permitindo menor dependência de óculos no pós-operatório.
A observação regular pelo Médico Oftalmologista é essencial, sobretudo nas idades mais avançadas. O estudo pré-operatório detalhado, através de exames específicos, permite detetar outras doenças oculares que podem condicionar o prognóstico.
Mesmo com os avanços tecnológicos, há patologias que exigem prevenção e diagnóstico precoce. Entre as mais comuns associadas ao envelhecimento destacam-se o Glaucoma, a Degenerescência Macular relacionada com a Idade (DMI) e a Retinopatia Diabética.
Ver bem é viver melhor
Numa sociedade onde a leitura, a condução e os dispositivos digitais fazem parte do quotidiano, preservar a visão é essencial para a autonomia e qualidade de vida.
O nosso conselho: realize exames Oftalmológicos regulares, procure o Médico Oftalmologista e cuide da sua visão.
Pedro Menéres
Médico Oftalmologista
Presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

Artigo publicado no Jornal de Notícias, no âmbito da Semana da Visão. Ver a página do jornal (PDF)