
A ambliopia, muitas vezes conhecida como “olho preguiçoso”, é a principal causa de baixa visão nas crianças. Durante a infância, ocorre um desenvolvimento anormal da função visual, em que o cérebro não aprende a ver corretamente através de um dos olhos.
Trata-se de uma doença silenciosa. Uma criança com ambliopia pode brincar, correr, ler, ir à escola e fazer a sua vida de forma aparentemente normal, sem nunca se queixar de que vê mal, simplesmente porque nunca viu de outra forma.
Existem diferentes fatores de risco para a ambliopia que podem interferir com o normal desenvolvimento visual. Entre eles, destacam-se uma diferença de graduação entre os dois olhos (anisometropia), um desalinhamento ocular (estrabismo) e erros refrativos elevados (hipermetropia, astigmatismo e, mais raramente, miopia). Além disso, alterações orgânicas que impeçam a passagem normal da luz, como as cataratas congénitas, podem também estar na origem de uma ambliopia.
Quando diagnosticada precocemente, a ambliopia pode ser tratada com sucesso na grande maioria dos casos. O tratamento depende da causa e da idade da criança, podendo incluir a correção ótica e, em alguns casos, a oclusão do olho com melhor visão, ou outras estratégias específicas. Quanto mais cedo for identificada, mais cedo poderá ser tratada, aproveitando a fase em que o sistema visual ainda está em desenvolvimento.
Em Portugal, está atualmente em vigor o Rastreio de Saúde Visual Infantil, que tem como objetivo identificar todas as crianças com alterações oftalmológicas capazes de provocar ambliopia. As crianças são rastreadas nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS) e nas Unidades Locais de Saúde (ULS) aos dois e aos quatro anos de idade. Se o rastreio for positivo, são encaminhadas para uma consulta hospitalar para observação e orientação.
Importa salientar que o impacto desta doença vai muito além da infância. Uma visão reduzida num dos olhos pode, no futuro, limitar determinadas atividades e condicionar escolhas profissionais. Assim, é fundamental que as nossas crianças não faltem aos rastreios. Detetar precocemente permite tratar atempadamente e, assim, proteger a visão para toda a vida.
Lembre-se: ver bem não é apenas ver!
Cláudia Costa Ferreira
Médica Oftalmologista
Vogal da Direção da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

Artigo publicado no Jornal de Notícias, no âmbito da Semana da Visão. Ver a página do jornal (PDF)