Março 11, 2026

Semana do Glaucoma: Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

[A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE]

Que tipos de glaucoma existem?
O glaucoma primário de ângulo aberto é o mais prevalecente, com causa desconhecida. Distingue-se dos glaucomas secundários, que resultam de corticosteroides, inflamação intraocular, tumores, traumas ou cirurgias.

Na maioria dos casos, a pressão intraocular (PIO) está elevada devido à diminuição da drenagem do humor aquoso (líquido intraocular do segmento anterior do olho), comprimindo as fibras do nervo ótico. Mais raramente, a PIO é normal, estando a patologia associada a lesões vasculares ou isquémia do nervo ótico (mais frequente em pessoas que sofrem de doenças vasculares, como diabetes).

Quais os sintomas?
O glaucoma manifesta-se, regra geral, de forma crónica e sem dor, com perda irreversível de campo visual no sentido periferia-centro. Como o campo visual vai estreitando, o doente pode esbarrar lateralmente contra objetos e/ou pessoas ou sofrer quedas e acidentes sem perceber a causa. Sem diagnóstico precoce, a doença só é detetada em fases avançadas, culminando numa visão tubular/central ou cegueira.

O glaucoma manifesta-se, sobretudo, a partir dos 40 anos, sendo essencial o seguimento regular, mesmo sem sintomas.

Em casos mais raros, o glaucoma manifesta-se de forma aguda, com sintomas que podem incluir: dor ocular, olho vermelho, diminuição da visão, halos luminosos, cefaleia. Destacam-se olhos com ângulo da câmara anterior (local de drenagem do humor aquoso) que fica mais estreito e “fecha” repentinamente, associado a alguns medicamentos, dificultando de modo abrupto a drenagem (nomeadamente em doentes com predisposição anatómica, incluindo ângulo já estreito). Outro exemplo é a elevação aguda da PIO associada a alguns tipos de inflamação ocular e infeção.

AS CONSULTAS DE OFTALMOLOGIA SÃO ESSENCIAIS A PARTIR DOS 40 ANOS E EM TODAS AS PESSOAS COM FATORES DE RISCO

Como diagnosticar e acompanhar?
As consultas de oftalmologia regulares são essenciais a partir dos 40 anos e em todas as pessoas com os seguintes fatores de risco: antecedentes familiares de glaucoma, PIO elevada, raça negra, alta miopia e uso de corticosteroides

A consulta inicial inclui avaliação da: acuidade visual, PIO, segmento anterior (biomicroscopia) e fundo ocular, incluindo o nervo ótico (fundoscopia). Perante alterações realiza-se: avaliação do ângulo da câmara anterior (gonioscopia), medição da espessura da córnea que pode influenciar o valor medido da PIO (paquimetria), avaliação do dano estrutural do nervo ótico (tomografia de coerência ótica – OCT) e avaliação do campo visual (perimetria). O seguimento é ajustado à gravidade, incluindo repetição dos exames para avaliação da evolução da doença. //

Ana Sofia Lopes
Médica Oftalmologista
Grupo Português de Glaucoma da SPO

Semana do Glaucoma: Sociedade Portuguesa de Oftalmologia