Março 10, 2026
[GLAUCOMA: LADRÃO SILENCIOSO DA VISÃO]
O glaucoma é uma doença crónica e progressiva do nervo óptico. É uma doença bastante preocupante porque:
O problema é que não dá sintomas (ardor, dor, etc.) e, como tal, evolui silenciosamente se não for diagnosticada numa consulta de rotina de oftalmologia.
Como foi referido, trata-se de um doente que não causa nenhum sintoma (ardor, picadas ou outra queixa) ou que causa alterações visuais numa fase precoce. Não é assim tão incomum observarmos no consultório, na urgência, pois que nos procura na consulta, ou urgência, pela primeira vez, e não tem visão num dos olhos e descobre-se que tem um glaucoma em fase terminal no outro olho (apesar de, não entanto, não estar cego). É uma doença bastante modificável, se a pressão intraocular (PIO) elevada estiver controlada. Mas isso nem sempre se verifica, daí que seja importante avaliar tudo o resto do olho: medir o ângulo iridocorneano e detetar as lesões características no nervo óptico (“escavação glaucomatosa”). A realização de tomografia de coerência óptica (OCT) e campos visuais vão permitir corroborar o diagnóstico e dizer-nos quão grave é o estádio desta doença.
Trata-se de uma doença multifatorial em que o fator que parece ser mais importante, e o único que é modificável, é a pressão intraocular (PIO) elevada. Mas isso nem sempre se verifica, daí que seja importante avaliar tudo o resto do olho: medir o ângulo iridocorneano e detetar as lesões características no nervo óptico (“escavação glaucomatosa”). A realização de tomografia de coerência óptica (OCT) e campos visuais vão permitir corroborar o diagnóstico e dizer-nos quão grave é o estádio desta doença.
Infelizmente, não. O que se perdeu de visão não se recupera. O tratamento do glaucoma permitirá atrasar ou, idealmente, impedir a progressão desta doença. Pode-se recorrer a colírios e/ou laser e/ou cirurgia. Não se realizam atualmente rastreios, mandando assim para as consultas populações ditas de risco: >40 anos, antecedentes familiares de glaucoma, raça negra, alta miopia ou doentes medicados com corticoides. A deteção precoce permitirá o diagnóstico de quem tem esta patologia bem como o seu tratamento, evitando a sua progressão e, em última instância, a cegueira. Daí a importância que a SPO dá a este disease awareness e à necessidade de se realizarem consultas de rotina por médicos oftalmologistas. Os únicos profissionais capazes de diagnosticar, seguir e tratar quem padece desta temível patologia. //
Fernando Trancoso Vaz
Médico Oftalmologista
Coordenador do Grupo Português de Glaucoma da SPO
