21 de Novembro, 2020

Queratocone/Ceratocone

O que é?

O Queratocone é uma doença da córnea que cursa com alteração da sua conformação e um adelgaçamento progressivo. Em estádios mais evoluídos a córnea pode adquirir a forma de cone.

Aparece nos jovens e pode evoluir até aos 35 anos.

As alterações estruturais da córnea produzem um astigmatismo que não é homogéneo, o que faz com que o doente se aperceba de diminuição da gradual da visão.

Para além do Queratocone, existem outras doenças, mais raras, que também cursam com alteração do padrão normal da conformação da córnea e seu adelgaçamento. São exemplos a Degenerescência Marginal Pelúcida e a Queratoglobo. A estas doenças chamamos Ectasias Corneanas.

 

Quais os sintomas?

Diminuição da visão mesmo com óculos ou lentes de contacto.

Distorção da imagem.

Visão dupla.

 

Quais os tratamentos disponíveis?

O objectivo primordial do tratamento do Queratocone, ou de qualquer outra ectasia, é a melhoria da visão.

Como primeira linha temos os óculos ou as lentes de contacto, mas que numa fase avançada poderão não resultar.

Nos casos em que existe evolução do queratocone, e desde que a transparência da córnea esteja mantida e que a visão seja satisfatória, é possível optar pelo Crosslinking. Neste procedimento a córnea, depois de ter sido impregnada de riboflavina (vitamina B2), é irradiada com luz UV. Tem como objectivo aumentar a resistência mecânica da córnea, e desta forma impedir maior deformação da córnea.

Nos casos em que a visão não é corrigível com óculos, ou que exista intolerância ao uso de lentes de contacto, é necessário recorrer a cirurgia. Para estas situações a cirurgia mais indicada, desde que a córnea tenha transparência adequada, é a implantação de anéis intra-estromais. Esses anéis são segmentos semicirculares que são introduzidos em túneis feitos na espessura da córnea. Dependendo dos casos, pode estar indicado usar um ou dois segmentos. O objectivo desta cirurgia é de uniformizar a conformação da córnea.

O transplante de córnea (queratoplastia) está reservado para quando o Queratocone é muito evoluído ou a córnea tenha uma transparência inadequada. Até há alguns anos, a queratoplastia que se fazia era a penetrante, ou seja, todas as camadas da córnea eram substituídas. Mais recentemente, foram desenvolvidos métodos para transplantar somente as camadas superficiais doentes, permitindo preservar as camadas mais profundas e saudáveis (endotélio e membrana de Descemet), e por isso diminuindo o risco de falência. A esta técnica chama-se queratoplastia lamelar anterior, e sempre que possível é a técnica de eleição.

 

Por Dr Ramiro Salgado,Dr. Miguel Gomes, Dr. Nuno F. Alves, Dra. Teresa Pacheco, Dr. Tiago Ferreira