23 de Abril, 2021

Olho Seco

É um importante problema de saúde pública por alterar as atividades quotidianas e qualidade de vida do indivíduo. Os sinais clínicos podem ser inconsistentes e discordantes das queixas dos doentes, tornando-se numa condição crónica e angustiante. Quando a lágrima não é produzida adequadamente, surgem os sintomas de olho seco: ardor; fotofobia; sensação de areia; lacrimejo; halos ao redor das luzes e visão alterada. Nos casos mais severos surge dor que agrava com o pestanejar, fotofobia intensa, infeções recorrentes e úlceras de córnea. 

Os fatores de risco para o olho seco são o sexo feminino, idade avançada, terapêutica pós-menopausa, alguns medicamentos sistémicos e oculares, deficiência vit. A, hepatite C, transplante de medula óssea, radioterapia, cirurgia refrativa, artrite reumatóide; lúpus; sarcoidose; acne rosácea; alergias, diabetes entre outros. As profissões associadas a tarefas de concentração como trabalhar no computador, em vídeos ou microscópios levam ao olho seco por diminuição do pestanejar, aumento da abertura palpebral e maior evaporação da lágrima. 

O tratamento passa por lágrimas artificiais, mudança do meio ambiente de forma a evitar agentes agressivos como o tabaco, o fumo, o vento ou ambientes muito secos, e a adoção duma postura visual correta no computador e na leitura. Nos casos mais graves, poderá ser necessário efetuar a oclusão dos pontos lacrimais, utilizar antibióticos gerais e ciclosporina e/ou corticoides tópicos.

Por Dra. Maria João Quadrado