7 de Outubro, 2021

É possível uma criança precisar de óculos sem nunca ter tido queixas?

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Médico Oftalmologista: Maria João Santos

Nem sempre a falta de queixas é garantia de boa saúde ocular, e há crianças que precisam de usar óculos apesar de não se queixarem. A oftalmologista Maria João Santos dá dois exemplos:

Um deles é a situação em que um olho vê bem e o outro vê mal. Isto pode passar perfeitamente despercebido tanto à criança como aos pais, e a causa desta situação pode ser, por exemplo, uma diferença de refração, ou seja, de graduação entre os dois olhos. Se esta diferença for importante e não for corrigida como prescrição dos óculos na infância pode conduzir ao chamado olho preguiçoso ou ambliopia. 

O olho que tem mais graduação, não estando corrigido, não vai receber uma imagem nítida, enquanto que o outro olho, sim. Este desequilíbrio, vai fazer com que de certa forma, o cérebro privilegie o olho bom, e deste modo, a visão do outro olho, do olho que tem a imagem menos nítida, não se irá desenvolver corretamente.

Um outro exemplo mais frequente, é o exemplo da hipermetropia. A criança pode, por exemplo, fartar-se um pouco mais cedo das tarefas de perto, mas sem que repare, e os pais podem também não se aperceberem perante isto, porque são situações que na verdade podem passar despercebidas. E porque são importantes, nomeadamente do olho preguiçoso, é recomendado que as crianças saudáveis e sem queixas façam uma primeira consulta de oftalmologia entre os 2 e os 4 anos de idade. Eu diria que os 3 anos é uma boa altura. Outra altura também importante será entre os 5 e os 6 anos, altura em que a criança vai para o primeiro ano, porque uma boa visão, um bom cuidado visual, irá certamente contribuir para o seu bom desempenho escolar.

Amanhã tiramos dúvidas sobre lentes de contacto em crianças e jovens.