12 de Outubro, 2021

Deslocamento da retina? Ou Descolamento da retina?… Posso ficar cego?

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Médico Oftalmologista: Manuel Falcão

De certeza que já ouviu falar em descolamento da retina, mas talvez não saiba os sintomas e as consequências desta situação. O oftalmologista Manuel Falcão começa por clarificar uma dúvida comum:

O termo correto é descolamento. Muitas pessoas usam o termo deslocamento mas esse não é o termo correto; o termo correto é descolamento. A retina é a camada mais interna do olho, que é responsável por transformar a luz e o impulso nervoso, que depois vai levar a informação para o cérebro. E, em determinadas situações, normalmente a seguir a uma coisa que se chama descolamento do vítreo, pode abrir um rasgão, um buraco na retina, que permite a passagem do liquido para o espaço retiniano, o que faz com que a retina descole do sítio de onde ela está – e ela descolando deixa de conseguir fazer a sua função e o olho deixa de conseguir ver. 

Portanto, o sintoma do descolamento do vítreo é o aparecimento de moscas voantes, umas teias de aranha e umas luzes que parecem uns flashes de luz. E, portanto, quando isso aparece é motivo para ir ao oftalmologista. Quando a retina começa a descolar é quando começa a aparecer uma cortina no nosso campo visual, uma cortina escura, e nós deixamos de conseguir ver nessa zona que tem essa cortina. E, portanto, isto irremediavelmente vai levar a uma cegueira se não for corrigido.

De uma forma geral, nós conseguimos cirurgicamente voltar a pôr a retina no sítio, conseguimos devolver a função visual àquele olho. Isto vai depender, muitas vezes, do tempo que a retina esteve descolada. Isto é uma situação que requer um tratamento cirúrgico rápido, não é uma situação que possa esperar uma semana, um mês, dois meses, para fazermos a cirurgia, porque estando a retina muito tempo descolada, as células vão morrendo – porque deixam de ser alimentadas; depois de estarem mortas, nós, mesmo pondo a retina no sítio, não há função visual como havia antigamente.

Amanhã falamos sobre a utilização de vírus no tratamento de doenças da retina.

Com o apoio da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.